As aventuras de Percy Jackson, obra em elípse de Rick Riordan

Acabei de ler, com um certo atraso, os cinco livros da série escrita por Rick Riordan, que narra as aventuras de Percy Jackson, um meio-sangue de humano com deus grego, que vive na cidade de Nova Iorque nos dias atuais. A série é composta de cinco volumes: "O ladrão de raios"; "O mar de monstros"; "A maldição do Titã"; "A batalha do Labirinto" e "O último olimpiano". No conjunto são cerca de mil e quinhentas páginas de narrativa irregular e um tanto quanto esquemática. O grande mérito é fazer crianças gostar de ler. Sim. Percy Jackson, o protagonista, encarna um Perseu contemporâneo e traz com ele toda a riqueza do imaginário da mitologia grega da antiguidade. É um herói, meio-sangue, semideus, filho de mãe humana e deus grego, no caso Poseidon. Assim sendo, consegue ver e viver através da "bruma", num mundo que convive com aquele alcançado pelos humanos comuns, mas repleto de monstros e aventuras, impensáveis para quem é apenas "normal". A idéia é boa. Fazer uma versão, ambientada no mundo contemporâneo, das aventuras dos heróis da mitologia grega, com todos os seus atrativos e mistérios. O ponto fraco é, sem dúvida, a sedução do mercado. Nesta série de cinco livros há pelo menos dois volumes desnecessários, que transcorrem em compasso de espera. Especialmente o volume quatro, "A batalha do Labirinto", cuja leitura é possível saltar sem prejuízo algum para o entendimento da trama. O autor e sua editora poderiam ter economizado na vontade de ganhar dinheiro e enxugado a história, em prol da qualidade literária. No conjunto é uma obra em elipse. Abre bem com "O ladrão de raios", afrouxa no segundo e terceiro volumes, desperdiça o quarto volume e volta a ficar eletrizante no final, com "O último olimpiano". Se alguém quiser um conselho sobre essa série: leia bem o primeiro, passe os olhos pelos dois seguintes, salte o quarto e vá direto ao quinto volume. Boa leitura.